30 de mai de 2009

Para o meu filho

Te amo com todo o meu coração. Te amo com toda a minha vivacidade. Você é um presente dos deuses, intenso e que me faz feliz. Você é único. A vida lhe pertence e eu sou de você. Caminho. Você é uma bela estrada. Encanto. Verdadeiro em seu olhar e expressão. Laço de cor azul, de menino que atravessou meu corpo e embala meu ser. Filho, pai, irmão. Sua pele quente transmite o calor necessário à casa. Você é um pedaço do universo, do qual ele depende. Sem você, o sol não ilumina, a lua se apaga e as ruas ficam desertas. Você é um sonho que pôde se realizar. Te amo!
Marisa Speranza

29 de mai de 2009

Para a minha filha

Te amo com toda a minha sensibilidade.Te amo com toda a força do meu coração; ele sempre baterá por você.Te amo,mesmo quando você está fora da cidade.Te amo mesmo quando nos desencontramos.Te amo desde as vísceras, no leite e no seio.Te amo porque cuidei.Te amo porque me apaixonei.Lebrinha e gatinha, que no doce sonho, eu cantava para te ninar.No meu colo, longe você foi.No meu colo você sempre ficará. Amor de mãe, amor de filha, às vezes confuso, às vezes em excesso.Mas, nunca de menos porque você é única. Nosso amor, meu amor, nunca termina. A nossa história resistirá às estrelas.Mesmo quando eu me for, você olhará para cima e, quando me chamar, eu virei, embalada em seus mais sutis sonhos e devaneios.
Marisa Speranza

13 de mai de 2009

Menopausa - Maturidade e Transformação

Que tormento é esse que faz gritar o meu corpo? Estou chegando aos cinqüenta anos e tudo que sinto me causa estranheza. Seria o climatério? Ondas de calor, como se tivesse um fogo ardendo de dentro para fora. São os tais dos fogachos.
O que está acontecendo é uma diminuição funcional de meus ovários. Quando chega à noite, tudo parece aumentar. Fico ruborizada à toa, como se estivesse envergonhada. Quando chegar a menopausa, a última menstruação, a coisa deve piorar. A irritação será frequente, a libido parece desaparecer. Vou ficar sem tesão? E meu parceiro, como vai lidar com todas as transformações? Minha pele vai ficar sem viço, ficarei sem lubrificação e mais rabugenta. Ficarei com aquele ar deprimido, de que já morri e não sabia?
A vida, às vezes, é bastante dura. E eu havia pensado que, enfim, nunca mais menstruaria e que tudo seria resolvido. Questões médicas surgem: deverei ou não fazer reposição hormonal. Alguns são a favor e outros não. Quantas dúvidas, até porque alguns dizem que reposição hormonal pode causar câncer de mama. Claro que na época certa, conversarei com o meu médico a respeito.
De qualquer forma, acredito, particularmente, que a menopausa pode ser resolvida de outras maneiras: com boa alimentação, com o corpo em dança, feliz. Trocando experiências com outras mulheres, podemos vir a descobrir que as causas desses desconfortos podem ser potencializadas porque, na verdade, não me sinto de bem com a vida, comigo mesma, com meu parceiro, com minha vida social e profissional. Podemos ser “inescrupulosas” a ponto de nos escondermos nos sintomas da menopausa, assim como algumas mulheres o fazem com a TPM. Não quero dizer que não existam, mas certas idéias pré-concebidas fazem com que não entremos em contato com as verdadeiras dores e o corpo é quem paga. Claro que depois que "descemos a ladeira", alguns cuidados são essenciais.
Com a perda dos hormônios, todo cuidado é pouco com a saúde, problemas de osteoporose, cardiovasculares e de pressão arterial são frequentes nessa fase. Devemos fazer exames rotineiramente, sem, contudo, transformar a vida numa ditadura médica e farmacológica. Se quase arrancamos os cabelos por conta de mudanças de humor, talvez pequenos detalhes, que nos valorizem, possam aumentar a auto-estima. Temos que re-viver, passar pela idade sem ressentimentos. Aprendemos que a mulher bonita não pode ser menos que as capas de revista. Mas, o envelhecimento natural pode ser belo, se formos capazes de nos potencializarmos e soubermos aproveitar o talento que temos, e que muitas vezes foi esquecido por conta de tantos outros deveres.
Saber envelhecer é arte. Nela reside a sabedoria que foi capaz de passar pelo tempo e não se deixou sucumbir. Se temos projetos, alegria, força, amor à vida, aos bons encontros, nosso corpo se reconfigura. A postura fica mais ereta, os olhos chegam ao alto.
Fico pensando que há muitos séculos “sofremos” o lugar de ser mulher. Como se tudo coubesse em nosso ser: ser mãe, trabalhar fora, apaziguar desentendimentos, ser conselheira, sermos “enxutas”, fazer amor sem vontade, escutar e até obedecer. Supervalorizamos isso e esquecemos, na verdade, de pequenas sutilezas e gentilezas com nós próprias. Cheguei até aqui com a vontade acirrada de podermos repensar esse lugar.
Agora? Mas, já estou com cinquenta, algumas dirão. Não importa! A verdade é que temos que viver um dia de cada vez e, se pudermos escutar o nosso coração, sentir melhor o corpo com suas necessidades, não haverá menopausa que nos enfie num buraco negro. O que haverá é um espaço maior dentro de nós, uma redescoberta de uma mulher mais sábia, que fez de seu próprio corpo uma nova moradia. Maior relaxamento e gozo estarão presentes, porque não teremos a pressa das frenéticas. Teremos o saber e a afirmação pela vida.
Marisa Speranza