13 de mai de 2009

Menopausa - Maturidade e Transformação

Que tormento é esse que faz gritar o meu corpo? Estou chegando aos cinqüenta anos e tudo que sinto me causa estranheza. Seria o climatério? Ondas de calor, como se tivesse um fogo ardendo de dentro para fora. São os tais dos fogachos.
O que está acontecendo é uma diminuição funcional de meus ovários. Quando chega à noite, tudo parece aumentar. Fico ruborizada à toa, como se estivesse envergonhada. Quando chegar a menopausa, a última menstruação, a coisa deve piorar. A irritação será frequente, a libido parece desaparecer. Vou ficar sem tesão? E meu parceiro, como vai lidar com todas as transformações? Minha pele vai ficar sem viço, ficarei sem lubrificação e mais rabugenta. Ficarei com aquele ar deprimido, de que já morri e não sabia?
A vida, às vezes, é bastante dura. E eu havia pensado que, enfim, nunca mais menstruaria e que tudo seria resolvido. Questões médicas surgem: deverei ou não fazer reposição hormonal. Alguns são a favor e outros não. Quantas dúvidas, até porque alguns dizem que reposição hormonal pode causar câncer de mama. Claro que na época certa, conversarei com o meu médico a respeito.
De qualquer forma, acredito, particularmente, que a menopausa pode ser resolvida de outras maneiras: com boa alimentação, com o corpo em dança, feliz. Trocando experiências com outras mulheres, podemos vir a descobrir que as causas desses desconfortos podem ser potencializadas porque, na verdade, não me sinto de bem com a vida, comigo mesma, com meu parceiro, com minha vida social e profissional. Podemos ser “inescrupulosas” a ponto de nos escondermos nos sintomas da menopausa, assim como algumas mulheres o fazem com a TPM. Não quero dizer que não existam, mas certas idéias pré-concebidas fazem com que não entremos em contato com as verdadeiras dores e o corpo é quem paga. Claro que depois que "descemos a ladeira", alguns cuidados são essenciais.
Com a perda dos hormônios, todo cuidado é pouco com a saúde, problemas de osteoporose, cardiovasculares e de pressão arterial são frequentes nessa fase. Devemos fazer exames rotineiramente, sem, contudo, transformar a vida numa ditadura médica e farmacológica. Se quase arrancamos os cabelos por conta de mudanças de humor, talvez pequenos detalhes, que nos valorizem, possam aumentar a auto-estima. Temos que re-viver, passar pela idade sem ressentimentos. Aprendemos que a mulher bonita não pode ser menos que as capas de revista. Mas, o envelhecimento natural pode ser belo, se formos capazes de nos potencializarmos e soubermos aproveitar o talento que temos, e que muitas vezes foi esquecido por conta de tantos outros deveres.
Saber envelhecer é arte. Nela reside a sabedoria que foi capaz de passar pelo tempo e não se deixou sucumbir. Se temos projetos, alegria, força, amor à vida, aos bons encontros, nosso corpo se reconfigura. A postura fica mais ereta, os olhos chegam ao alto.
Fico pensando que há muitos séculos “sofremos” o lugar de ser mulher. Como se tudo coubesse em nosso ser: ser mãe, trabalhar fora, apaziguar desentendimentos, ser conselheira, sermos “enxutas”, fazer amor sem vontade, escutar e até obedecer. Supervalorizamos isso e esquecemos, na verdade, de pequenas sutilezas e gentilezas com nós próprias. Cheguei até aqui com a vontade acirrada de podermos repensar esse lugar.
Agora? Mas, já estou com cinquenta, algumas dirão. Não importa! A verdade é que temos que viver um dia de cada vez e, se pudermos escutar o nosso coração, sentir melhor o corpo com suas necessidades, não haverá menopausa que nos enfie num buraco negro. O que haverá é um espaço maior dentro de nós, uma redescoberta de uma mulher mais sábia, que fez de seu próprio corpo uma nova moradia. Maior relaxamento e gozo estarão presentes, porque não teremos a pressa das frenéticas. Teremos o saber e a afirmação pela vida.
Marisa Speranza

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