27 de jan de 2009

Desabafo de mãe

Hoje estou triste. Descobri que minha filha está fumando. Coisa doida essa de aperto no peito. Que incômodo! Por que ela não poderia ter outras opções? Conversamos e coloquei alguns limites. Ela diz que sou louca. Queria que eu fosse amiga dela. Mas, eu sei que sou. Ela quer que eu concorde com tudo que ela faz e diz. É adolescente, pensando ser adulta. Tenho que zelar porque sei que as tentações são fortes. Também já fui adolescente e como é difícil não ser arrastada pela vontade de querer chamar atenção, fazer parte do grupo e ser aceita. Que chatice! Detesto ter que ficar interferindo, dizendo um monte de coisas de mãe. Será que ela não se toca? Quer fazer o que lhe dá na telha. Chegar tarde, sair, bebericar e mais essa de hoje. Não adianta dialogar, se acha ferida sei lá porquê. Sempre a culpa é de mãe e pai. Somos culpados de tudo? As pessoas não sabem decidir? Já sei. Ela decidiu fumar, beber, chegar tarde, ouvir som alto e eu tenho que compreender. É isso o amor incondicional? É difícil entrar no mundo dos jovens; um passo e lá está o abismo olhando para eles. Ainda acredito, diferente de outros pais que vejo por aí, que preciso ver e ficar atenta à minha filha. Sei que ela é do mundo, não é minha. Mas, sei que ela ainda não sabe o que decidir. O discernimento, nessa idade, nem sempre é bom. Ainda tem muito a aprender, sem precisar se machucar. Imagino a dor de uma mãe quando seu filho é viciado em drogas. Deus me livre! Viro bicho. Não sou louca mesmo? Só porque imponho horários de chegar, porque quero que ela arrume seu quarto, não se atrase, estude. Essa é minha loucura. Converso muito também. Sempre dialogando. Ela diz que tem boa cabeça. Acredito. Por outro lado, boas cabeças também rolam não é mesmo? Pois é.... a vida continua, preciso ainda ter fé. Mas, fumar? Francamente! Que coisa idiota; dentes amarelos, pulmões pretos, pele áspera. Ela não vê as campanhas anti-tabagismo? E, quando parar? Gorda! Irritadiça! Mais do que nunca queria tanto levar a vida como algumas mães que conheço. Já ouvi assim: "Quando ela tiver câncer de pele, não estarei viva mesmo". Você não vai pedir para seu filho passar filtro solar? Acho, sem ser radical, que pessoas de dezoito, dezenove, vinte,que ainda não trabalham, moram com os pais, têm mais que seguir as regras da casa.E, quer saber? Só tem direitos quem tem deveres e, só sabe mandar, quem sabe obedecer. Então, querida filha, lamento.
Marisa Speranza

2 comentários:

Ana Paula Sampaio disse...

Oi Marisa! sabe, não fui mãe e agora já é tarde pra isso. Mas se os tivesse, é provável que minha maior preocupação fosse com drogas e outras coisas desse mundo louco... Se te consola, fui uma adolescente chata, reclamona, que achava que sabia tudo, adorava dizer "que saco" e trancar a porta do meu quarto. Outro dia, num encontro de amigas dos tempos do colégio, vi que todas nós viramos mulheres bacanas, responsáveis, equilibradas! Até adolescência passa! =) beijos!

Jane disse...

Marisa,faz tempo que desisti de esperar que meu filho não fizesse as besteiras que eu mesma já fiz...E hoje, sou "regulada" por ele como se eu fosse a filha e ele o pai.Mas nesta não sou pega...Meu pai era bem mais compreensivo que meu filho...hehehehe
O tempo é um excelente remédio.
bjks
PS:
Adorei este seu espaço.